Certa vez o presidente da CBD, João Havelange, que posteriormente tornou-se presidente da FIFA  afirmou: “Nenhuma mulher se tornará árbitra de futebol”. Estava errada a previsão do ex-presidente.

Atualmente é comum identificar uma competição de futebol oficial no Brasil, com a presença feminina no apito ou ainda como assistente. Somente no Rio Grande do Sul existem dezesseis árbitras sindicalizadas e destas, sete são Federadas. As árbitras assistentes (7), dividem-se, em três da letra A e as restantes na letra C, sendo que uma delas foi reprovada no teste físico.

Árbitra Gaúcha – No Rio Grande do Sul, a presença inicial feminina no apito, deu-se início em 1985, com a árbitra Ivani de Gregori, nascida em São João do Polêsine, município localizado próximo a Santa Maria, região central do Estado. Ela conta que desde pequena gostava de jogar futebol mas foi durante a graduação de Educação Física na UFSM que surgiu a oportunidade. “Fiz um curso de arbitragem promovido pela Federação Gaúcha de Futebol. Éramos quinze meninas mas somente eu e mais duas concluímos o curso”.

O amistoso entre Sapiranga e Internacional, disputado em 1990, foi a primeira partida profissional arbitrada por Ivani e a última deu-se no ano de 2000 durante a Copa Santiago de futebol júnior. Pioneira em uma época que poucas mulheres apitavam jogos de futebol em todo mundo, ela conta que ouvia coisas do tipo “vai pilotar um fogão”, além de ofensas de torcedores que eram feitas para outros árbitros. “Nunca me preocupei com isso. Sempre apitei como se não tivesse ninguém fora do campo de jogo”, afirmou.

Aos 36 anos guardou o apito mesmo que pudesse ir até os 45 anos. Encerrou a carreira na arbitragem devido ao casamento e o nascimento das suas duas filhas dedicando-se então somente à família. Residindo atualmente em Farroupilha, Ivani é bancária e professora de Educação Física.

PIONEIRA – A mineira Asaléa de Campos Fornero ou simplesmente Léa, foi a primeira árbitra que se tem notícia a dirigir uma partida de futebol no Brasil. Formada em Educação Física na Universidade de Brasília (curso voltado para árbitros de futebol), Léa precisou driblar diversas imposições existentes na época. Concluiu em 1967 o Curso na Escola de Árbitros do Departamento de Futebol Amador promovido pela Federação Mineira de Futebol.

Léa Campos encontrou dificuldades para apitar no Brasil, sendo proibida de atuar em alguns Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas encontrou apoio em outros, como Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Sua redenção veio em 1971, quando foi convidada pela FIFA para apitar um torneio mundial de futebol feminino, realizado pela entidade no México. Em 1974, devido um acidente de ônibus, Léa foi parar em uma cadeira de rodas durante dois anos o que decretou o encerramento da sua carreira de árbitra de futebol.

Homenagem – Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o SAFERGS através do seu presidente Maicon Zuge, homenageia todas árbitras gaúchas que dedicam parte do seu tempo para elevar a qualidade dos jogos de futebol.

Créditos : CP , Foto : Arquivo Safergs