SAFERGS

Só existe sorteio de árbitros por culpa da CBF

salvio_

Pode-se dividir o futebol brasileiro antes e depois de 2003. Não estou falando na parte técnica e sim em questões administrativas e de transparência, principalmente para a arbitragem. Falo das melhorias que vieram com o Estatuto do Torcedor, Lei Federal que impôs exigências no futebol por omissão da CBF.
Hoje, fale-se muito da interferência do Governo no futebol, em 2003 esta interferência estatal veio para melhorar.
A Lei Federal trouxe muitos benefícios ao futebol. Dentre tantas exigências que a lei trouxe, destaco algumas relacionadas à arbitragem: -Divulgação da escala dos árbitros com 48 horas de antecedência dos Jogos
Antes do Estatuto do Torcedor, recebíamos as escalas na sexta à noite para viajar no sábado e em algumas vezes sabíamos que jogos íamos apitar no sábado pela manhã. Era correria e confusão.
-Preenchimento dos relatórios com prazo máximo de 4 horas. Após comprovadas adulterações de súmulas e relatórios Lei impôs um basta a esta fraude.
-Publicação das Súmulas e Relatórios dos árbitros no site da entidade organizadora. Só benefícios. Toda a comunidade do futebol passou a ficar sabendo o que os árbitros escrevem nos relatórios. Transparência.
-Pagamento das taxas de arbitragem. Antes do Estatuto do Torcedor a responsabilidade era somente dos clubes e alguns não pagavam mesmo. Com a Lei Federal a responsabilidade passou a ser solidária da Entidade que Organiza a competição.

SORTEIO DE ÁRBITROS

Só existe sorteio de árbitros pelo caso Ives Mendes. Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, nomeado por Ricardo Teixeira, que utilizou do seu cargo para negociar com clubes a escala de árbitros. Foi comprovado que o cargo foi utilizado para interesses políticos. É um poder que muitos querem, mas poucos podem. Por isso, foi colocado o Art. 32 no Estatuto do Torcedor: “É direito do torcedor que os árbitros de cada partida sejam escolhidos mediante sorteio, dentre aqueles previamente selecionados. ” Pelo escândalo “Ives Mendes” a medida era totalmente necessária. Sou totalmente contra o sorteio, participei de várias reuniões apoiando o fim do sorteio como ele é feito hoje. O problema existe e simplesmente acabar com o sorteio é não resolver.

Minha sugestão é seguir um dos dois caminhos:

1-COMISSÃO DE ABITRAGEM AUTÔNOMA E INDEPENDENTE
É o melhor modelo, mas difícil de ser aplicado no Brasil por questões políticas e favores para Federações em troca de votos. Implantar um modelo de governança, com prazo de gestão, compartilhamento dos trabalhos e com decisões exclusivamente técnicas é o ideal e como é feito em vários países.

2-REGULAMENTAR O SORTEIO
Alterar o artigo 32 do Estatuto do Torcedor para o seguinte texto:
“É direito do torcedor que a equipe de arbitragem de cada partida profissional de competição interestadual, de primeira e segunda divisão, sejam escolhidos mediante sorteio”

§ 1º. O sorteio deverá ser feito com no mínimo três equipes de arbitragem.
§ 2º. O Sorteio poderá ser feito entre três jogos e três equipes de arbitragem.
§ 3º. O sorteio será realizado no mínimo quarenta e oito horas antes de cada rodada, em local e data previamente definidos.
§ 4º. O sorteio será aberto ao público, garantida sua ampla divulgação.

Com esta nova redação a Comissão de Arbitragem poderá selecionar jogos por grupo de dificuldade e por categoria de árbitros. Acaba com a “sorte” ou o “azar” na carreira do árbitro. Este modelo não prejudica o árbitro iniciante, que por sua competência terá garantia de escalas em jogos considerados de dificuldade baixa.

Eu fico com a opção 2.

Publicado em 04/06/2015, 13:17 /Atualizado em 04/06/2015, 14:44
Sálvio Spínola, blogueiro do ESPN.com.br

Faça um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>