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Arbitragem de luxo

    Escrever para o jornal do Sindicato dos Árbitros do Rio Grande do Sul é a maior barbada do século. Nem precisa ser puxa saco para dizer que estamos diante do melhor quadro de arbitragem do Brasil.

    Nunca se ouviu nada contra a idoneidade de qualquer dos seus integrantes e quando ameaçaram dizer – até nisso sinto orgulho da nossa arbitragem – foram rechaçados com a veemência dos que não devem. Falar em quadro de árbitros que tem Carlos Simon, duas Copas do Mundo, Leonardo Gaciba, duas vezes o melhor do Campeonato Brasileiro é moleza.
 
    E não pensem que é obra fácil ser o melhor.  A denominação já diz tudo: MELHOR. Num país dito do futebol tudo é disputa. Tudo é neurose.Tudo é rivalidade. Tudo é picuinha. Então, amigos, ser o melhor é dureza. Depois que inventaram o comentarista específico da função ficou ainda mais difícil.

    São dez câmeras, são 6 ou 7 repórteres de rádio. É uma tempestade contra os juízes, que na verdade são mais que seres humanos, são quase semideuses. Eles têm que acertar sempre.Quando erram por centímetros já são taxados disso e daquilo.

    Já fui mais veemente em condenar juízes e auxiliares, hoje sou mais tolerante. Uma coisa boa que aconteceu, com o advento da televisão cheia de detalhes: se viu que os árbitros erram , mas muito mais acertam.

    Já vi muito árbitro consagrado errar comentando   e depois pedir desculpa pelo replay. E estes mesmos quando apitavam deixavam a desejar.  Quem não lembra dos erros históricos de Arnaldo  César Coelho, Armando Marques, daquela papagaiada do Wright na final entre Bangu e Fluminense. Quem não lembra de títulos sonegados a Grêmio e Inter por erros de árbitros de nome?

    Então, ser árbitro é ter um dom espetacular, especialmente o de engolir sapos. E muitas vezes de homens da sociedade que nem merecem respeito. Alguns deles até condenados pela justiça. Outros que querem aparecer as custas de árbitros consagrados.
 
    O nosso quadro de árbitros erra, acerta,  às vezes até extrapola, mas é honesto. Virtude cada vez mais rara numa sociedade perversa e que em relação aos juízes tem a mania de querer perfeição.

* Luiz Carlos Reche – Jornalista

Texto publicado  no Jornal MARCA DA CAL, maio de 2007

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